sábado, 13 de novembro de 2010

E não deu em nada...

O governo brasileiro foi a Seul com uma certa confiança de que poderia discutir e resolver os problemas gerados pela guerra cambial. Falou-se numa união entre a Europa e o BRIC para pressionar os norte-americanos, falou-se em substituir o dólar como moeda internacional por uma cesta de outras moedas, falo-se tanto, mas na prática nada foi resolvido.


O que não causa espanto. Muito pelo contrario.


O acordo final reconhece a disputa cambial, e "pede" aos países que não pratiquem a chamada "desvalorização comercial". Também permite que os emergentes adotem medidas para amenizar os efeitos das moedas desvalorizadas nos demais países, além de sugerir a adoção de um câmbio flutuante.


Mas é bastante óbvio que isso não coloca um fim na chamada "guerra cambial".


Essas decisões são, quando muito, paliativos. Não vão sanar com o problema, que para o qual, sinceramente, eu não vejo saída agora. É como tentar avaliar os danos durante uma tempestade, não dá. O único caminho é esperar a tempestade passa, proteger-se da melhor forma possível e depois contabilizar as perdas.


Os EUA estão socializando as suas dívidas, estão simplesmente fazendo o mundo pagar a conta da crise de 2008, que ainda se faz sentir na economia norte-americana.


Mas o pior de tudo é que foram eles que provocaram essa crise.


Na década de 90 o Japão passou por uma crise semelhante a de 2008, também foi uma crise gerada pela impossibilidade do banco de receber o que havia emprestado, já que as garantias dadas não foram suficientes para cobrir as dívidas assumidas. Resultado: bancos quebraram e a economia japonesa foi tragada por uma forte crise.


Mas o EUA vendo a bolha que se criava no mercado imobiliário as custas de hipotecas sobre hipotecas, e o exemplo japonês, nada fez para evitar a crise.


Agora eles, que provocaram a crise, querem que o mundo pague por seus erros.


Ele que haviam assumido um compromisso de emitir dólar de acordo com o lastro que detinha em ouro, e que em 1997 romperam com esse acordo, forçam os demais paises a ajustar a suas economias a um dólar fraco. 


Seria difícil de entender essa arrogância se ela não partisse de quem partiu. É a velha histórinha do Destino Manifesto presente, como sempre, na política norte-americana.


Ah! só para não esquecer os líderes do G20 assinalaram com uma possibilidade de concluir as discussões da Rodada Doha, que estavam paradas desde 2008. Agora é esperar 2011 para ver se vai dar um algo!

     

http://www.cartacapital.com.br/economia/consenso-de-seul-nao-resolve-principais-polemicas-do-g20

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