Eu despretensiosamente nos últimos dois longos meses tenho dado a minha opinião sobre assuntos que me chamam atenção. E o que começou como simplesmente uma necessidade de praticar redação, agora se transformou em algo mais, numa necessidade de dizer o que eu penso, o que eu acredito.
E hoje eu quero falar sobre a violência e a necessidade que nós seres humanos temos de nos alienar dela.
Nos últimos dias essa tal violência está se manifestando das mais diversas formas possíveis, desde de meia dúzia de moleques espancando um homossexual na Paulista, até uma ação organizada dos criminosos no Rio de Janeiro.
Aqui não vou detalhar os casos citados, afinal todos já devem estar bem informados sobre isso. Meu objetivo é tentar entender, se possível, a intersecção entre casos tão dispares. O ponto em que o crime organizado carioca e rapazes de classe media alta de São Paulo se encontram.
Mas será que esse encontro existe?! Eu acredito que sim.
Apesar dos motivos, da organização, da execução, das consequencias e da repercussão serem absolutamente diferentes, o ponto em comum é bem básico e bem simples, é a violência em si, é a agressão que é promovida contra toda a sociedade.
Seja lá qual for a origem, ou a vítima, ou o motivo a agressão fere a todos, e ao mesmo tempo é responsabilidade de todos. TODOS!
Eu assumo minha parcela de culpa por cada gay espancado, por cada índio queimado, por cada demonstração de ódio sobre a qual eu não manifestei minha indignação, por todas as vezes que eu tratei o assunto como problema do outro, por cada vez que eu reclamei sem fazer nada pra mudar, por cada voto que eu dei para pessoas que nada fizeram contra isso, por nunca ter falado para o meu vizinho que se diz um "ex-skinhead' que acho monstruoso o que ele e os amiguinhos dele faziam.
Me culpo pela minha inércia.
E me espanto com a banalização com que a violência vem sendo tratada.
Para começar, um policial violento que tortura e mata, que age a margem da lei é ídolo. Quantos Capitães Nascimento atuam para nos manter seguros?! E que segurança é essa promovida pela violência?! Eu gosto do filme, mas ver aquele homem como um exemplo de policial como muitos veem é ridículo. policial tem que ser alguém que age dentro da lei para fazer com que ela seja cumprida. Ingenuidade?! Talvez.
Além disso, estamos transformando homicídios em estatísticas. E as vítimas têm seus rostos, suas histórias, seus sonhos transformados em algo frio como números. Minha teoria: números não nos tiram o sono, números não nos fazem temer sair de casa, números são só números...
Ficamos estarrecidos e clamamos por justiça pela Isabela Nardoni, com toda a razão, o que foi feito com ela é de uma maldade inconcebível. Mas e as outras meninas que são assassinadas?! Para "elas" nós não pedimos justiça, não choramos a dor de suas mães, não aplaudimos um promotor determinado a fazer justiça. Simplesmente ignoramos suas vidas e suas mortes.
Até que ponto podemos nos colocar distantes dessas realidades?!
Somos todos parte do problema e da solução, todos culpados por aceitarmos a violência como normal e rotineira. É parte da vida em sociedade, ninguém está isolado. O homem não é uma ilha!
O Palpiteiro escreveu um post bonito sobre a sua responsabilidade como professor de um dos meninos que participou da agressão na Paulista a um homossexual. Como sempre ele escreveu um belo texto, coerente e expressivo, nada de novo. Mas foram os comentários que me chamaram atenção. Ele estava sendo criticado por acreditar ter alguma parcela de culpa no incidente.
Falaram que é papel da família educar e não dos professores, o que eu concordo em partes. É mais trabalho da família direcionar os jovens do que da escola, mas a escola tem sim um papel maior que simplesmente o de fornecedora de conhecimento. Acredito no papel da escola na formação do pensamento crítico, na formação do carater e da personalidade.
Meus país são pessoas incríveis e me educaram com amor e com disciplina, me ensinaram a respeitar o outro para ser respeitada. Mas apesar disso, os meus professores contribuíram muito para a formação da pessoa que eu sou hoje. Seria injusto com pessoas que se esforçaram tanto para me transmitir seus conhecimentos não reconhecer seu papel fundamental na formação da mulher que eu me tornei.
Acredito que alguém influenciou a formação desses jovens, como influenciou os líderes do crime organizado. Infelizmente sua maldade que foi despertada, sabe se lá porque. Mas quem sabe se eles tivessem conhecido alguém empenhado em mostrar o quanto a humanidade pode ser boa as coisas teriam sido diferentes. Quem sabe as coisas ainda possam ser diferentes. Eles podem aprender com seus erros e entender as consequencias de escolhas tão ruins e mudar, ou podem continuar na mesma, vai depender deles e de quem estiver ao lado deles.
A desesperança, a crença de que está alem do nosso alcance fazer algo para mudar isso é que me entristece. Eu creio no ser humano, na bondade e na maldade que há em todos. E na capacidade que todos temos de despertar ambos os lado em nós mesmos e nos outros. Eu acredito no homem, com a mesma convicção que acredito na vida e no seu valor.
http://opalpiteiro.blogspot.com/2010/11/voce-nao-foi-perspicaz-desculpe-me.html
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