sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Além da Cracolândia.

Algumas semanas atrás no Jornal da Globo foi dito que o problema da Cracolândia reapareceu em São Paulo. Depois o Profissão Reporte, que talvez seja o único programa de jornalismo da emissora no qual eu vejo qualidades, mostrou a região onde os usuários de crack se concentram no centro.


Olha, dizer que o problema "reapareceu" é no mínimo ridículo. Afinal de contas ele nunca foi a lugar nenhum. Eu sei porque eu vi, eu e todos os paulistanos que andam pelo centro da cidade.


A venda e o consumo de narcóticos, pessoas revirando o lixo a procura de qualquer coisa que possa render algum dinheiro e violência são a realidade assustadora do local . 


Mas se a intensidade com que se manifestam os efeitos das drogas nesse locais assusta, muito mais alarmante é o silencio com que ela se infiltra por todo o país.


Eu estudei num colégio pequeno no bairro aonde moro, próximos a ele, existe um ponto de venda de drogas. Do lado de uma escola, todo mundo sabe, mas os "vendedores" ficam no canto deles e nós ficamos no nosso, e a vida segue. 


Tem um menino que estuda no mesmo colégio e que se envolveu primeiro maconha, depois com cocaína. Ele deve ter uns 15 anos. Foi dentro do condomínio em que ele mora que ele começou a usar drogas.


Na escola, no condomínio na cracolândia, o problema das drogas é muito maior do que aquilo que é divulgado pela imprensa.


A Folha divulgou a apreensão de 300 Kg de crack feita pela PM de São Paulo, a maior do ano no país. O diretor do Denarc afirmou que com isso a zona leste e o centro ficarão desabastecidos por 6 semanas.


Eu não acredito muito nisso...


Pode me chamar de cética, mas se tem uma coisa que o crime organizado já provou que tem é organização, o titulo não veio à toa. Os traficantes vão dar um jeito de garantir a distribuição da mercadoria, podem ficar tranquilos quanto a isso. Acreditar nessa conversa de que uma apreensão vai "desabastecer" o centro por mais de 1 mês é um pouco de ingenuidade.


A questão da droga sempre foi discutida como questão de segurança, com uma certa razão já que é ela que financia as organizações criminosas. Mas está mais do que claro que não é por esse caminho, ou não só por esse caminho, que a coisa vai melhorar.


É imperativo que também se veja a questão como saúde pública. O que na teoria já é feito, mas, que exceto algumas medidas pontuais, não está sendo posto em pratica de maneira eficaz.


Também só internar o usuário não resolve, é preciso avaliar a eficiência do tratamento oferecido. É como qualquer doença que se não é bem tratada volta em algum tempo.


Se pensarmos que segurança e saúde, além de educação, incentivo a cultura e o esporte, são fundamentais para começar a combater o narcotráfico, e a qualidade de tais serviços prestados pelo poder público para a população, não é de se esperar avanços rápidos nesse assunto.


A coisa é complexa e difícil de resolver, e eu não tenho nada além de uma ideia sobre o que eu acho que ajudaria e uma mania de dar palpite sobre tudo. 


http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/833492-comercio-de-crack-de-sp-deve-ficar-desabastecido-por-cerca-de-6-semanas-diz-policia.shtml





     




    

   

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