quarta-feira, 17 de novembro de 2010

As fragilidades de um gigante.

Após a Segunda Guerra Mundial o velho continente estava em ruínas. O centro económico e cultural do mundo fora sobrepujado pelos EUA.


Foram necessárias duas guerras mundiais, milhares de mortes e a destruição para que entendessem que as disputas internas os enfraquecia, enquanto fortalecia os norte-americanos. 


Dando lugar ao nacionalismo exacerbado e as rixas, o continente caminhou para uma integração iniciada em 1951 com a CECA (Comunidade do Carvão e do Aço). Num processo lento e gradual a integração prossegui, até que em 1992 foi assinado o Tratado de Maastricht, que consolidou União Europeia.


Que agora enfrenta uma ameaça a sua sobrevivência. Após a crise de 2008 a economia de alguns países do bloco está caindo aos pedaços. A primeira foi a grega.


O Estado grego estava mal acostumado com os anos de dinheiro fácil da décadas de 1990 de 2000. Mas em 2008 o mundo enfrentou uma forte crise económica e o país ganhou um presente de grego, literalmente. Um crescimento económico negativo, um deficit de 15% e a possibilidade de ter que declarar moratória.


Coube ao FMI e UE socorrê-los. Em troca, um pacote de medidas foi proposto para diminuir a divida externa, que aqui já estava na casa dos 113% do PIB nacional.


A irresponsabilidade dos que geriram a Grécia, e que acreditaram que o país cresceria eternamente sem nunca enfrentar uma adversidade cobrou caro!   


As vítimas seguinte foram Portugal e Irlanda.


O Tigre Celta teve um crescimento extremamente elevado entre a década de 70 e os anos 2000, investiu em educação e estimulou a entrada de capital estrangeiro. Mas 2008 chegou, a crise veio, e com ela as multinacionais que impulsionavam o acelerado progresso irlandês enfrentaram um grande revés em casa, e deixaram de investir dinheiro no país. 


Esse é o problema de quem cresce com dinheiro dos outros, uma hora ou outra, por uma motivo ou outro, o dinheiro pode para de chegar, e aí...     

O fato é que o uso de uma moeda única limita as possilidades de manobra políticas e cambiais dos países.


Além disso, apesar de reunidos num mesmo bloco as economias do leste europeu não se comparam as de potencias como a Alemanha.


Tal disparidade entre os membros é uma grande fragilidade. É como construir uma corrente com elos forte e fracos, uma horas as partes frágeis irão se romper comprometendo toda a estrutura.


Sem dúvida, essa é a maior adversidade sofrida pelo bloco desde sua criação. Mas espera-se bom senso e responsabilidade dos membros para que se evite a desintegração da UE. É agora que terão que mostrar força e equilibrou.


A pujança dos anos anteriores contrasta com as dificuldades atuais, mas é bom lembrar que foi, também, num momento de crise que o continente iniciou a união. Espero que o que impulsionou sua criação não seja o motivo de seu fim.

Agora resta esperar para ver o desfecho dessa história.

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