sábado, 30 de outubro de 2010

Um líder que se vai.

Argentina em 2001 sofria com uma crise provocada pelo Plano Cavallo que colocou a relação de peso e dólar de um para um, o plano dolarizou a economia.


Mas o fato é que o um peso não valia um dólar, e a moeda foi mantida artificialmente forte, as custas de uma divida externa gigantesca.


Isso foi feito e o povo foi iludido com essa farsa, quando a coisa estourou a Argentina foi arrastada para uma crise que parecia sem saída.


A coisa estava tão feia que o país teve 5 presidentes em em menos de duas semanas!


Me lembro de ver matérias que mostravam que regiões do país estavam com a economia baseada no escambo.


Aí apareceu uma figura na política que mudou tudo, Néstor Carlos Kirchner candidatou-se a presidente e venceu em 2003.  


Assumiu a presidência de uma país devastado política, economica e moralmente. Num momento em que o povo estava com vergonha de ser argentino ele tomou para si a missão que parecia insana de tirar se país do buraco.


Ele não colocou sua imagem acima dos interesses de seu país, não tentou fazer o politicamente correto e nem jogou com as cartas que já estavam
postos, não foi coadjuvante.


Ele fez o necessário!


Fez o que todo mudo disse que ele NÃO deveria fazer.


Fez o que tinha de ser feito para salvar seu país daquela situação.


Sem se importar em ir contra os interesses dos bancos e da midia, ele disse que não pagaria as dividas da Argentina como estavam, e obrigou os credores a renegociar sob a ameaça de não pagar nada.Foi chamado de caloteiro, criticado e julgado dentro e fora de seu país. Não se abateu e nem arredou pé. Foi firme e manteve sua postura. E venceu.


E apesar de ter sido chamado de caloteiro e de ter relações difíceis com o FMI foi ele o presidente que mais pagou a divida externa argentina.


Resultado da política de Kirchner foi o reaquecimento da economia do país que passou a crescer perto dos 10%, a queda do desemprego para cerca de 10% e o aumento das reservas internacionais para cerca de 30 bilhões de dólares em 2006.


Kirchner morreu no dia 27, e deixou uma nação que é grata a ele. Gratidão por ele ter tirado o país do buraco, por ter devolvido o orgulho de ser argentino, gratidão por ter sido corajoso e competente quando todo mundo havia se acovardado. Uma gratidão que só entende quem viu o estado do país que ele pegou e como ele deixou quando saiu em 2007.


Ele foi o que um presidente tem que ser. Foi forte, competente, corajoso, fiel aos seus ideais, coerente. O que ele foi fará com que ele seja sempre lembrado como o presidente que botou ordem na casa.   


Com a sua morte além do ser humano, do homem, do marido, e a figura do líder que se vai.


Aos idiotas que tentaram derrubá-lo, que fique a imagem de um grande homem, que não se abateu com criticas mesquinhas de meia dúzia de cretinos. Aos que estão acostumados a curvar-se diante dos poderosos, aos que andam a tanto tempo com os olhos tapados por sua própria ignorância que fique a imagem de uma homem que se manteve com a cabeça erguida e com a dignidade intacta.




   

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